Sintrasef segue em difícil negociação contra aumento abusivo no Capesaúde

Artur Accacio, diretor do Sintrasef

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Representantes do Sintrasef, Sindsprev, coletivo ‘Sucam em Movimento’, Condsef (Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal) e Fenasps (Federação Nacional dos Sindicatos em Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social) se reuniram com o diretor-presidente da Fundação Capesesp, João Paulo Neto, em fevereiro, na sede da empresa no Rio, e pediram o cancelamento imediato do reajuste de 22% aplicado pela Fundação sobre o plano CapeSaúde e o retorno dos segurados desligados ao plano. Durante a audiência dos sindicatos com o diretor-presidente da CapeSesp, servidores do Ministério da Saúde fizeram ato público em frente à sede da empresa para protestar contra o abusivo aumento de 22%.

Em resposta, Reis Neto disse ser impossível o cancelamento, alegando que o índice, cerca de 10 vezes superior à inflação acumulada pelo INPC, foi aplicado como parte do processo de saneamento financeiro da Capesesp, supervisionado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Segundo ele, a Capesesp opera atualmente com a estimativa de patrimônio líquido negativo de R$ 17 milhões e uma despesa mensal de R$ 40 milhões. O gestor informou ainda que, se o saneamento financeiro for concluído este ano, com aprovação da ANS, o reajuste para 2019 será de 15%.

Os diretores do Sintrasef Jorge Castelhano e Artur Accacio reafirmaram a luta das entidades contra o reajuste. “Este índice absurdo de 22% vai provocar um número ainda maior de desligamentos da CapeSaúde, vai ser como um tiro que sai pela culatra. Isso não será bom para nenhum dos lados, pois o associado fica sem o plano e o plano fica sem arrecadação, o que o impede de cumprir as metas”, disse Castelhano.

Os diretores deixaram claro que o Sintrasef está fazendo o possível para que o CapeSaúde tenha bom senso sobre a situação, pois os servidores não tiveram reajustes em seus salários nos mesmos índices dos últimos anos. “O percentual é muito acima das condições dos associados! Vamos cobrar do Ministério da Saúde, através da Fenadsef,  que os patrocinadores banquem ao menos 50% do plano, como já acontece nas empresas estatais”, afirmou Artur.

 

Desligados

 

Também foi perguntado ao presidente da Capesesp como fica a situação dos desligados, já que muitos estão saindo por não terem condições de pagar as novas mensalidades e outros estão sendo desligados porque o plano muitas vezes não aceita negociar mensalidades atrasadas em até três meses.

Além do cancelamento do reajuste de 22%, os servidores cobraram explicações sobre o fato de  o per capita do plano continuar constando dos contracheques de segurados que já se desligaram há anos da CapeSaúde, o resultado de auditoria da ANS na CapeSaúde, o reajuste da tabela de reembolso e a melhoria do atendimento.

Sobre o per capita dos segurados que já se desligaram do plano, João Paulo Neto disse que ter informado os RHs das patrocinadoras sobre todos os desligamentos e que o problema deve ser solucionado junto a essas patrocinadoras. No entanto, comprometeu-se a promover uma checagem cadastral, para identificar eventuais problemas.

Ainda sobre este item, os sindicatos propuseram que os recursos do per capita dos servidores desligados sejam utilizados para abater as dívidas desses segurados com a CapeSaúde e que sejam desconsiderados os prazos de carência para segurados que queiram retornar ao plano. João Paulo não se comprometeu com a proposta de usar recursos do per capita para pagamento de dívidas, mas aceitou estudar a possibilidade de desconsiderar a carência dos que quiserem retornar à CapeSaúde, o que será objeto de nova campanha.

 

Auditoria, reembolso e atendimento

 

No que se refere à auditoria da ANS sobre a CapeSaúde, pediu aos sindicatos que solicitassem ao Conselho Deliberativo da entidade os resultados. Em relação à tabela de reembolso, hoje em R$ 65, o diretor-presidente da CapeSaúde admitiu que o valor precisa ser reajustado, mas não apresentou propostas concretas.

No que se refere à melhoria do atendimento, ele admitiu os problemas de acessibilidade, sobretudo aos mais idosos. Nesse sentido, considerou a possibilidade de buscar parceria com os sindicatos para utilização das sedes regionais das entidades como pontos de apoio e de também implementar o atendimento itinerante.

De acordo com João Paulo, ultimamente cerca de mil segurados têm se desligado da CapeSaúde. Desses, 20% são pessoas com mais de 80 anos de idade. Em todo o país, a CapeSaúde possui 72 mil segurados.

Uma próxima reunião entre João Paulo e os sindicatos será realizada este mês para dar continuidade às discussões. (Com agências)

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