Sintrasef em defesa da democracia

A diretoria do Sintrasef vem a público se manifestar a respeito do pleito eleitoral para presidente da República do Brasil. Em primeiro lugar, gostaríamos de fazer uma simples análise da conjuntura nacional sobre os presidentes dos últimos 30 anos.

Em 1995 foi eleito o governo Fernando Henrique Cardoso. Com o discurso do Neoliberalismo e de mudanças e melhorias para a população, o que se viu foi crescimento da pobreza, privatização da máquina pública, fim de concursos públicos, demissão e retirada de mais de 50 direitos dos servidores públicos. Neste período que durou até 2003, os sindicatos tiveram que investir muito trabalho e dinheiro em campanhas de socorro aos trabalhadores, protestos e enfrentamentos nas bases e em Brasília para tentar parar o rolo compressor que pedia o fim do Estado.

No ano de 2003 surge uma esperança para os servidores e para os trabalhadores com a eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resgate de direitos e sonhos retirados pelo governo anterior torna-se real. Citemos algumas ações: investimento na saúde e nos transportes públicos, política de não extinção de órgãos públicos, concurso público para todos os níveis, abertura de anistia e reintegração para servidores demitidos no governo Collor e FHC, planos de cargos e salários para todos os servidores.

Mesmo assim, com a máquina pública ainda muito debilitada após as ações neoliberais, os sindicatos mais uma vez entraram em ação na defesa de seus representados nos diferentes órgãos e conseguiram vitórias significativas para a categoria e para a população em geral. Entre elas podemos citar a abertura de mesas de negociação mais justas e o não desmonte e extinção de órgãos como Fundação Nacional da Saúde.

Em 2011 tivemos com Dilma Rousseff pela primeira vez uma mulher na presidência do Brasil. Depois de reeleita em 2014 seguiram-se turbulências, com arrocho econômico contra os trabalhadores e manobras políticas que levaram a acusações de improbidade administrativa e à interrupção de seu mandato. Após participar das manobras políticas, o então vice-presidente Michel Temer assumiu o cargo e deu nova guinada neoliberal. Os serviços públicos, os servidores e os trabalhadores foram profundamente afetados com reformas como a do teto de gastos, a trabalhista e a previdenciária. Hora dos sindicatos, também afetados pelas reformas, fazerem inúmeros esforços para manter uma mínima dignidade e esperança para a classe.

A retomada neoliberal levou o país também a uma onda de conservadorismo e extrema direita, abrindo as portas para Jair Bolsonaro ocupar a presidência do Brasil a partir de 2019. O discurso de ódio e a condução da política trouxeram medo e retrocessos ao país. A crise econômica se aprofundou. Postos foram fechados, salários congelados e o pesadelo da inflação voltou ao dia a dia. Os servidores públicos foram eleitos inimigos do Brasil e ficaram sem um único reajuste salarial durante o governo Bolsonaro. Com manipulação das Forças Armadas, ataques às instituições da república e violência contra a imprensa, a democracia passa a correr risco. Candidato à reeleição com ampla possibilidade de derrota segundo as pesquisas, Bolsonaro passa a atacar as urnas eletrônicas e consegue passar medidas emergências onde distribui benesses para alguns setores justamente no período eleitoral. Às vésperas da eleição presidencial de 2022 o retrocesso no Brasil tornou-se tão grande que qualquer pensamento diferente daquele do ocupante da presidência é taxado de inimigo e atacado.

Contra tal realidade, o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Estado do Rio de Janeiro (Sintrasef) vem confirmar sua posição a favor da democracia e do respeito a liberdade e diversidade de pensamento de seus associados, dos servidores e da população em geral, independente de bandeiras partidárias ou religiosas.

 

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