Serviços públicos são defendidos na Câmara dos Deputados

Servidores, profissionais de diferentes setores, representantes de centrais sindicais e parlamentares estiveram na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (12/2) em jornada de defesa dos serviços públicos e contra as privatizações.

Em preparação para a greve geral de 18 de março, as falas na tribuna do auditório Nereu Ramos foram contra a política de desmonte e a atuação do ministro da Economia, Paulo Guedes, e em solidariedade as greves na Petrobras, Casa da Moeda, Dataprev, Correios e Serpro, empresas públicas em processo de desmonte para privatizações.

“Estamos aqui em um dia histórico de unidade da classe trabalhadora, de todas as centrais, do movimento sindical, do movimento social, de parlamentares comprometidos com os servidores, nessa iniciativa em defesa dos serviços públicos”, disse o Secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef), Sérgio Ronaldo da Silva.

 

Unidade

 

Coordenadora da Frente Parlamentar em Defesa do Serviço Público, a deputada federal Alice Portugal (PCdoB-BA) abriu os trabalhos na tribuna da Câmara. “Nós sabemos a dureza que foi lutar para o reconhecimento de nossos sindicatos, para transformar associações recreativas em sindicatos e estabelecer a representação dos servidores. Nós precisamos ter unidade. Não podemos perder as conquistas, os concursos, os serviços públicos que estão sendo ameaçados”, declarou.

Servidor há 27 anos, o senador Fabiano Contarato (REDE-ES) disse ter orgulho de sua categoria e repudiou a fala do ministro Paulo Guedes. “Foi um ato de violência chamar de parasita aquela auxiliar de enfermagem que cuida dos nossos familiares internados; chamar de parasita aquele bombeiro que é um verdadeiro herói; aquele policial, os carteiros. Chama essas pessoas de parasitas e enaltece os banqueiros. Parasitas são os banqueiros e os empresários!”, exclamou Contarato com indignação.

 

Derrubar Guedes

 

A mobilização nas ruas e o diálogo amplo com a sociedade foram pontos centrais da fala da Secretária-geral da CUT, Carmem Foro, que reforçou a necessidade de conscientização da população para a importância da manutenção dos serviços públicos de qualidade. “Essa luta não é só dos servidores públicos. Sou uma trabalhadora do campo e temos que nos envolver nessa batalha, se não acabarão com os serviços públicos que atendem a população em geral”, pronunciou.

Para ela, é fundamental que haja diálogo para construção de uma grande Greve Geral em 18 de março. “Nós vamos derrubar o verdadeiro parasita que é Paulo Guedes. Só na mobilização de rua teremos vitória. Tenho certeza que a greve dos petroleiros e dos Correios é um sinal positivo de que teremos um ano de muita luta. Já temos uma agenda vigorosa”, afirmou, referindo-se também à mobilização para o 8 de março, Dia Internacional de Luta das Mulheres. 

Enquanto trabalhadores se empenham nas ruas, parlamentares recorrem a instituições de controle. Investigado pelo Ministério Público Federal, Paulo Guedes é eticamente incompatível com o cargo que ocupa, conforme declarou o deputado federal Paulo Ramos (PDT-RJ). “Ele se atreveu a chamar o servidor de parasita, mas é ele o sanguessuga. Ele estruturou uma organização que está desviando os recursos públicos de praticamente todos os fundos de pensão. É uma organização criminosa. Nós sabemos o que ele representa”, declarou o parlamentar. “Já ingressei na Procuradoria da República, no Tribunal de Contas da União e amanhã recorrerei ao Supremo Tribunal Federal. Ele não pode continuar ministro”, declarou o parlamentar.

 

Tentativa de diálogo

 

Nesta terça-feira (11/2), o Fórum das Entidades Nacionais dos Servidores Públicos Federais (Fonasefe) esteve no Ministério da Economia , onde buscou uma audiência com o ministro Paulo Guedes. As entidades que compõem o fórum já haviam encaminhado em janeiro um pedido de audiência. Agora, foram até o ministério protocolar a pauta de reivindicações que faz parte da Campanha Salarial Unificada 2020 dos servidores federais.

Apesar das tentativas, a categoria não foi recebida por nenhum representante do ministério. Segundo informações obtidas pela comissão de representantes dos servidores que tentou ser recebida, não há previsão de ser oficialmente respondida.

Com salários congelados há três anos, a maioria dos servidores segue indignada com o tratamento que vem sendo dado pelo governo ao setor público. Guedes pediu desculpas por comparar servidores a parasitas, mas as entidades querem explicações. Em palestra na Fundação Getúlio Vargas (FGV), o ministro fez uma série de declarações baseadas em inverdades e que reforçam a narrativa do “servidor privilegiado e ineficiente” que interessa ao governo para aprovar a reforma Administrativa. As inverdades do discurso do ministro têm sido expostas por especialistas de diversos setores.

 

Estratégias de defesa

 

Também nesta terça-feira (11/2), a Condsef realizou reunião do seu Conselho Deliberativo de Entidades (CDE), que contou com a participação do deputado federal Carlos Veras (PT-PE). O deputado se colocou a disposição para ampliar o debate sobre os projetos e propostas que tramitam ou ainda devem chegar ao Congresso Nacional e afetam diretamente servidores e serviços públicos. Entre elas estão as PEC´s 186, 187 e 188, que fazem parte do chamado pelo governo de “Plano Mais Brasil” e vem complementar a EC 95/16, que congela investimentos públicos por 20 anos.

Representantes das entidades filiadas à Condsef em todo o Brasil debateram novas estratégias e ações para enfrentar os ataques constantes que setor público e servidores vêm sofrendo. Os servidores se articulam para buscar apoio de parlamentares, o que será fundamental no processo de diálogo em torno da proposta de reforma administrativa, que, pelo que se sabe até o momento, pode piorar em muito o processo de desmonte dos serviços públicos brasileiros. (Com agências)

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