Protestos no Carrefour: Sintrasef na luta contra crimes raciais

O Sintrasef, diversas entidades e cidadãos participaram neste domingo (22/11) de ato de protesto contra a morte do soldador João Alberto Ferreira e o genocídio da população negra na porta do supermercado Carrefour em Campo Grande, no Rio. O Sintrasef foi representado por Edvaldo Esteves, diretor da Secretaria de Relações Externas, Movimentos Sociais, Gênero, Etnias e Raças do sindicato.

“Estamos e sempre estaremos aqui enquanto servidores, negros, para denunciar e mostrar nossa indignação com o racismo, com esses repetidos casos. Cansamos de ficar calados, ver nosso povo morrer. Estamos nas ruas. Nossa voz indignada tem que ser ouvida! É tolerância zero aos racistas!”, disse Edvaldo Esteves.

Durante todo o fim de semana protestos aconteceram em frente às lojas da cadeia de supermercados em diversas cidades do país em repúdio ao brutal espancamento e morte de João Alberto, um homem negro, por seguranças brancos do Carrefour em Porto Alegre (RS). O assassinato aconteceu na véspera do Dia Nacional da Consciência Negra (20/11).

O posicionamento de integrantes do governo federal sobre mais um episódio de crime racial gerou ainda mais revolta. O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, declarou na sexta-feira (20/11), justamente o Dia da Consciência Negra, que não existe racismo no Brasil ao comentar o assassinato de João Alberto.

“Para mim no Brasil não existe racismo. Isso é uma coisa que querem importar, isso não existe aqui. Eu digo pra você com toda tranquilidade, não tem racismo”, disse Mourão.

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) só se manifestou ao fim do dia, em seu Twitter, citando a violência de uma forma ampla, sem mencionar o assassinato, as agressões contra negros ou se posicionar contra o racismo no país.

“Não adianta querer dividir o sofrimento do povo por grupos, que a violência, por exemplo, é sentida por todos, de todas as formas”. E afirmou ainda que “o país está longe de ser perfeito, que tem vários problemas que vão além das questões raciais”. O presidente negou a gravidade do racismo no país e disse que, para ele, “todos têm a mesma cor”.

Enterro

João Alberto Silveira Freitas, 40 anos, pai de quatro filhos, foi sepultado neste sábado (21/11) no cemitério São João, distante apenas 1,7 km do local onde foi esmurrado até a morte, o estacionamento do supermercado Carrefour, no bairro Passo D´Areia, Zona Norte de Porto Alegre.

Carrefour reincidente

Após mais um caso de violência racial, a rede francesa foi desligada da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, que reúne 73 organizações. A plataforma expressou, em posicionamento público, “profunda repulsa” ao caso.

“É criminoso um ambiente empresarial em que um cidadão entre para fazer uma compra e saia morto. E são coniventes todos aqueles que se omitiram e não tomaram as medidas para que essa morte fosse evitada. Inclusive os que se calam”, diz o texto. (Com agências)

 

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