No 1º de Maio unificado, centrais sindicais indicam greve geral para dia 14 de junho

Trabalhadores iniciam a construção da greve em junho (Foto: Nando Neves)

Servidores, profissionais de diferentes categorias, movimentos sociais, estudantes e cidadãos foram às ruas nas principais cidades do Brasil neste 1º de maio, Dia Internacional do Trabalhador, para protestar principalmente contra o desemprego, que atingiu 13,4 milhões de pessoas em março, e a proposta de reforma da Previdência. As centrais sindicais realizaram atos unificados e confirmaram o indicativo de greve geral contra os retrocessos do governo Bolsonaro para o dia 14 de junho.

“Está aprovado! O Brasil irá parar em defesa do direito à aposentadoria dos brasileiros e brasileiras. A única forma de barrar essa reforma é fazer o enfrentamento nas ruas. Temos condições de barrá-la, mas eles também têm condições de aprovar. Precisamos convencer a opinião pública a pressionar os deputados, e vamos para a greve geral!”, informou o presidente nacional da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas, após conduzir a votação junto aos trabalhadores e trabalhadoras no Vale do Anhangabaú, em São Paulo.

“A proposta de Bolsonaro e seu guru Paulo Guedes (ministro da Economia) é cruel com o povo. Querem acabar com o direito dos trabalhadores, sobretudo os mais pobres, de receberem pensão e aposentadoria para sobreviver. É por isso que vamos parar dia 14”, afirmou Freitas. Ele disse ainda que se o problema do governo é arrecadação de dinheiro, as centrais sindicais têm uma proposta de reforma tributária para apresentar: “se Guedes quer arrecadar R$ 1 trilhão que vá tributar os ricos e milionários que têm jatinho, avião e jet ski. Que vá cobrar os grandes sonegadores da Previdência, as grandes empresas. Não venha querer tirar do povo trabalhador”.

No Rio, as manifestações aconteceram durante todo o dia na região central da cidade. Na Praça Mauá, cerca de 10 mil pessoas participaram do ato unificado das centrais sindicais. O encontro contou com diversas atrações culturais. Durante vários momentos os trabalhadores cantaram sambas em homenagem à cantora Beth Carvalho, que faleceu na terça-feira (30/4) e costumava participar das manifestações de 1º de maio. Perto dali, os Arcos da Lapa amanheceram com uma grande bandeira pedindo liberdade para o ex-presidente Lula, preso político desde abril de 2018.   

Mundo

Nas principais cidades do mundo a classe trabalhadora também saiu às ruas contra a nova avalanche de políticas neoliberais que tenta diminuir direitos dos trabalhadores e transferir dinheiro dos estados para as grandes empresas do sistema financeiro internacional, que trocam a produção pela especulação. Neste quadro, políticos oportunistas colocam a culpa pela falta de postos de trabalho nos imigrantes e agravam a crise social em diversos países. Em Paris, na França, cerca de 40 mil pessoas combateram a agenda de privatizações e arrocho salarial do governo Macron. Em diversas cidades europeias brasileiros protestaram contra a reforma da Previdência e em favor da liberdade do ex-presidente Lula.

Na América do Norte houve pelo menos duas manifestações de rua com as pautas da conjuntura brasileira: na Cidade do México e em Nova York. Em Cuba, o 1º de Maio foi mais uma vez uma demonstração de força e compromisso, reunindo milhares de trabalhadores na capital Havana. Na pauta das mobilizações estava o apoio ao governo cubano e a defesa da pátria diante de uma conjuntura de aprofundamento de ataques imperialistas à América Latina. Os manifestantes também prestaram solidariedade ao governo Maduro e ao povo venezuelano, após mais uma tentativa de golpe, e exigiram a liberdade do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva (PT). (Com agências)

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