Mata-mosquitos: seminário reprova reforma da Previdência

Primeira à esquerda, a diretora do Sintrasef Maria do Socorro vê os sindicatos com papel decisivo na luta contra a reforma da Previdência

O Sintrasef participou na sexta-feira (3/5) do Seminário de Saúde do Trabalhador que Atua no Combate à Endemias, realizado no Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana (Cesth) da Fiocruz.

O seminário foi uma iniciativa conjunta da Fiocruz, sindicatos do Rio de Janeiro que têm em suas bases os cerca de cinco mil agentes de combate à endemias, guardas de endemias e agentes de saúde pública, como Sintrasef, Sindisprev e Sindsaúde, e a Defensoria Pública da União. O encontro abordou dois temas principais: os impactos da Reforma da Previdência nos trabalhadores, e pesquisas e relatos sobre o trabalho e a saúde de guardas de endemia.

Maria do Socorro, diretora do Sintrasef e palestrante no seminário, vê a reforma da Previdência como um enorme prejuízo para os trabalhadores. “A reforma muda o regime. Hoje é feito pela Seguridade Social, com garantias, partilhas e financiamento do governo e outros setores. Com a reforma isso acaba, passa a ser sistema de capitalização, com o próprio trabalhador fazendo uma aplicação de poupança junto a bancos. É um sistema de alto risco porque não garante a retirada dos valores lá na frente, pois a capitalização dependerá da especulação do mercado financeiro. Não é garantido que o trabalhador reveja aquele dinheiro que investiu a vida toda”, afirma ela.

Especificamente sobre os trabalhadores no combate à endemias, a diretora do Sintrasef acredita que o quadro se agravará com a reforma, pois “os trabalhadores expostos à pesticidas já vivem precarizados. Não têm Equipamento de Proteção Individual, não têm acompanhamento mínimo de saúde e não têm garantias de sobrevivência. Com as regras atuais de legislação previdenciária os trabalhadores estão morrendo em uma média de um por semana e têm dificuldades para se aposentarem. Com esse novo modelo será mais difícil ainda de se chegar à aposentadoria, será cada um por si”.

Para Maria do Socorro, “então está claro que os trabalhadores têm que se organizar e lutar contra essa reforma”. Ela afirma ser o momento dos trabalhadores e sindicatos proporem debates e participarem da luta contra a aprovação da reforma da Previdência.

Defensoria Pública

O objetivo dos sindicatos com o seminário é atuar em duas frentes. A acadêmica, com a detecção das causas de adoecimento e morte desses servidores. E a legal, com a Defensoria Pública propondo melhoras da qualidade de trabalho e de vida desses servidores, inclusive com tratamentos de saúde diferenciados. Os questionamentos da Defensoria são baseados no histórico da exposição dos trabalhadores aos pesticidas.

Malathion

O encontro também aprovou uma resolução de propor o fim do uso do Malathion, pesticida de alto grau tóxico utilizado no combate aos vetores transmissores da dengue, chikungunya e zika que é responsável pela morte de muitos trabalhadores.

A próxima etapa do seminário será no dia 29 de maio. Participe!

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