Greves podem barrar reforma administrativa e privatizações

As mobilizações dos servidores e de diferentes classes de trabalhadores neste início de ano, inclusive com greves, parece já estar fazendo efeito na defesa de direitos dos trabalhadores e da soberania nacional. Nesta segunda-feira (3/2), o presidente Jair Bolsonaro enviou mensagem ao Congresso pelo início do ano parlamentar, e a reforma administrativa não foi sequer mencionada.

No entanto, o governo não desistiu totalmente de avançar com a reforma. Neste primeiro semestre deve ser encaminhado apenas o texto que define as três categorias de servidores públicos para contratações futuras. As demais propostas devem ser apresentadas apenas após as eleições municipais.

A avaliação é de que a reforma completa poderia engrossar as greves das estatais. Atualmente, duas empresas estão paralisadas contra o plano de privatização, são elas Petrobras e Casa da Moeda. Os Correios deliberaram greve para 12 de fevereiro. Dataprev, parado desde 31 de janeiro, decidiu nesta terça-feira (4/2) suspender a paralisação dos trabalhadores por 15 dias, durante tentativa de negociação.

 

Agenda de luta

 

A mobilização dos servidores parece amedrontar o presidente Jair Bolsonaro também pelo seu momento delicado, em que tenta criar um novo partido político em ano eleitoral. No dia 12, trabalhadores da administração pública e a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público realizarão evento no Congresso Nacional contra privatizações e retirada de direitos.

O evento, que será realizado no auditório Nereu Ramos, na Câmara dos Deputados, contará, pela manhã, com ato político. Participarão dezenas de entidades sindicais e parlamentares contrários ao desmonte do Estado e pela proteção da soberania nacional. Integram a Frente Parlamentar 255 deputados federais e 21 senadores. Na parte da tarde, painéis discutirão mitos e verdades sobre o funcionalismo público, ajuste fiscal e privatizações. Ao fim da programação, haverá deliberação de encaminhamentos sobre atuação conjunta no Congresso Nacional, ações midiáticas de conscientização da população e mobilização para construção dos protestos de 8 de março (Dia Internacional de Luta das Mulheres) e 18 de março (Greve Geral).

Para o Secretário-geral da Condsef/Fenadsef, Sérgio Ronaldo da Silva, o parlamento vai jogar peso nas propostas negativas para os trabalhadores até julho, quando começa o período eleitoral. Dessa forma, os servidores devem igualmente se empenhar em combater medidas que retiram direitos e que ameaçam o Estado.

“Não há mais zona de conforto. Todos os servidores devem estar atentos e se comprometerem com as atividades de mobilização que as centrais e entidades convocam. Dia 12 de fevereiro é um momento importante para mostrar unidade da categoria aos parlamentares. E dia 18 é a Greve Geral que vai mostrar ao governo que não seremos aniquilados por ele. Vamos todos à luta!”, convoca Sérgio Ronaldo. (Com agências)

Deixe uma resposta