Greve geral leva milhões às ruas de todo o país contra reforma da Previdência

A base dos servidores públicos federais no Rio está unida contra a retirada dos direitos dos trabalhadores (Foto: Nando Neves)

O Sintrasef, servidores, profissionais de diferentes categorias, centrais sindicais, movimentos sociais, estudantes e cidadãos realizaram nesta sexta-feira (14/6), no Rio e na maioria dos estados do Brasil, greve geral contra a reforma da Previdência e o desmonte da educação e do serviço público promovidos pelo governo Bolsonaro. No Rio, o Sintrasef mobilizou suas bases em diferentes cidades do Estado e na capital. No final do dia, cerca de 100 mil pessoas participaram de uma grande passeata da Candelária à Central do Brasil.

Em todo o Brasil mais de 45 milhões de pessoas aderiram à paralisação, superando a greve de 2017. A adesão dos servidores públicos federais foi expressiva e o movimento segue crescendo. Lançados na linha de frente das investidas do governo, os trabalhadores do Estado têm o dever de proteger o patrimônio público da população contra as ameaças de privatizações e de desmonte.

Se há dois anos o povo conseguiu derrubar a tentativa de alteração previdenciária de Temer, consciente de seus direitos à aposentadoria e a um envelhecimento digno, hoje mais uma vez a união faz a força. Jorge Macedo, diretor do Sintrasef e servidor do Ministério da Saúde, vê essa união como fundamental para, se necessário, “os servidores e trabalhadores, assim como a população, seguirem nas ruas em uma greve geral indeterminada, até as reformas serem definitivamente enterradas”.   

 

Agenda

 

A Comissão Especial da Câmara dos Deputados sobre a reforma da Previdência pode começar a debater o parecer do relator, Samuel Moreira (PSDB-RJ), nesta terça-feira (18/6). O texto foi apresentado na quinta-feira passada e, em seguida, foi concedido pedido de vista coletivo, o que adiou o início da discussão na Comissão. Apesar de inserir várias mudanças, a proposta do relator mantém o aumento da idade mínima, o aumento do tempo de contribuição para 40 anos e a redução do valor do benefício. Ou seja, apesar de retirar a capitalização do texto, as injustiças principais são conservadas.

O ministro Paulo Guedes não gostou do relatório apresentado e fez declarações de que a Câmara teria “abortado” a reforma. Insatisfeito com a posição de Guedes, o presidente da Câmara Rodrigo Maia (MDB-RJ) criticou o governo e reafirmou o compromisso da Casa com a aprovação da reforma, apesar da desarticulação e das crises do Planalto.

 

Trabalho de base

 

A situação instável pode mostrar despreparo do governo, mas não tranquiliza servidores, trabalhadores e a população, ainda fortemente ameaçados de perderem suas aposentadorias. Vladimir Lacerda, servidor do Ministério dos Transportes, defende que “o trabalho de base dos sindicatos junto aos trabalhadores seja constante, já que os colegas ainda não estão compreendendo a situação que estamos passando hoje no país, que é a tentativa de fim da Previdência pública e também extinção do serviço público brasileiro. Então, nas próximas semanas teremos que ter muita luta e resistência”.

O Sintrasef dará todas as garantias, inclusive jurídicas, para que o servidor ajude os trabalhadores a derrubarem a proposta de reforma do governo Bolsonaro e mantenham o sistema de Previdência pública, com regras menos injustas para o acesso à merecida aposentadoria.

“Estamos nos preparando para evitar qualquer retaliação do governo sobre o aspecto político e jurídico. Temos preparados mandados de segurança para evitar assédios que venham a prejudicar o servidor e seu serviço de uma forma geral”, afirmou Jayme Rosa, diretor do Sintrasef e servidor da Advocacia Geral da União (AGU), durante a passeata no Centro do Rio. (Com agências)   

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