Governo insiste em possibilidade de reajuste só no vale-alimentação, o que exclui aposentados e pensionistas

Nesta primeira semana de junho o presidente Jair Bolsonaro voltou a mencionar a possibilidade de reajuste apenas no vale-alimentação dos servidores, o que ficaria em uma média de R$ 700. Além de não ser bem recebido pela categoria, tal reajuste pode prejudicar milhares de aposentados e pensionistas, que não recebem vale-refeição. Os cerca de 650 mil aposentados e pensionistas são hoje a maioria do Executivo no serviço público federal. 

As intenções do governo para com o funcionalismo seguem incertas. Um bloqueio de mais de R$ 8 bi no orçamento foi anunciado, o que é insuficiente para concessão do percentual de 5% defendidos até mesmo pelo ministro da Economia Paulo Guedes.

O presidente Bolsonaro disse ainda que “o grande problema” de não conceder reajuste a policiais rodoviários federais e agentes de segurança pública seriam “outros servidores”. A categoria está em luta por uma recomposição salarial emergencial de 19,99%, reivindicação protocolada junto ao Ministério da Economia em janeiro deste ano. Para entidades que representam servidores federais, o grande problema é o próprio governo Bolsonaro. 

Inicialmente, o presidente havia anunciado aporte de R$1,7 bi no orçamento, ainda no final do ano passado, que seria para conceder reajuste apenas a três carreiras consideradas base de apoio de seu governo. A decisão gerou repercussão entre o conjunto de servidores federais, a maioria com salários congelados há mais de cinco anos.  

De lá pra cá Bolsonaro e membros de seu governo já fizeram declarações sobre diversas propostas, incluindo reajuste linear de 5%. No entanto, nunca abriram um canal efetivo de negociações com representantes da categoria e nunca esclareceram nenhuma das propostas ventiladas. 

O dia 2 de julho está se aproximando, uma das datas limite para o governo Bolsonaro enviar ao Congresso Nacional proposta salarial dos trabalhadores do serviço público federal. Só a pressão dos servidores será capaz de fazer com que o governo conceda a recomposição salarial emergencial pleiteada pelo funcionalismo. Dinheiro tem e a legislação permite. 

O governo Bolsonaro só não dará reajuste aos servidores se não quiser. Esse será de fato “o grande problema”. Já valorizar servidores e investir em serviços públicos de qualidade é solução para que o Brasil cresça garantindo direitos aos seus cidadãos. (Com agências) (Foto: Nando Neves)

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