Em Brasília, servidores dizem ´não` à política econômica e cobram diálogo com o governo

Centenas de servidores de vários setores, trabalhadores do campo, da cidade e representantes de movimentos sociais se reuniram na Esplanada dos Ministérios nesta quarta-feira (30/10), em defesa da soberania, dos direitos e empregos da população brasileira.

A política econômica do governo Bolsonaro foi o principal alvo dos protestos. Em dez meses, a política econômica encampada por Paulo Guedes demonstra ineficácia em reaquecer o mercado interno, o que tem promovido a manutenção de altos índices de desemprego, a concentração de renda e o aumento assustador da desigualdade social.

Para piorar o quadro, o governo encara servidores como inimigos, desmonta serviços públicos essenciais, quer promover a privatização completa do Estado brasileiro e reduzir ou mesmo acabar com políticas públicas essenciais para a recuperação da economia.

 

Reforma Administrativa

 

Com a previsão de chegada de uma reforma Administrativa esses dias ao Congresso, a Condsef/Fenadsef reforça o coro de que o ataque aos serviços públicos é também um ataque à toda sociedade. A começar pela Emenda Constitucional (EC) 95/16, que congela investimentos públicos por 20 anos no Brasil. “Essa é uma equação explosiva. Não é possível assegurar um Estado de bem estar social retirando direitos e acesso da população a serviços públicos. Os reflexos da insatisfação com essa política de austeridade já começam a se fazer sentir”, comenta o secretário-geral da Confederação, Sérgio Ronaldo.  

É também nessa perspectiva que servidores devem abrir um amplo diálogo nas principais cidades brasileiras. O objetivo é montar estruturas para um bate papo “cara a cara” sobre a importância dos serviços públicos e desmistificar a ideia tão propagada de que servidores são todos “privilegiados”.

Durante o ato em Brasília os servidores também cobraram a abertura de um canal de diálogo permanente com o governo, principalmente nos debates que envolvem a reforma Administrativa. O também diretor da Condsef/Fenadsef, Rogério Expedito, lembra que a reforma Administrativa que vem sendo gestada sem o devido diálogo com a categoria deve promover precarização, terceirização e abrir campo para o trabalho intermitente, pavimentando a privatização do setor.

Sem negociação coletiva, os servidores são frequentemente colocados em situação de vulnerabilidade. Isso pode ocorrer, como agora, quando um governo decide excluí-los de decisões que podem atingir sua estrutura de trabalho e ameaçá-los, não apenas administrativamente, mas também com a retirada de direitos.

Para a Condsef/Fenadsef, a maioria das decisões anunciadas no atropelo pelo governo, desde Temer, tem gerado o impacto de uma pequena reforma Administrativa através de expedientes como Decretos, Instruções Normativas, Portarias e outros recursos que para os representantes da categoria se tratam de “canetadas”.

 

Reforma Sindical

 

Nesta terça-feira (29/10), entidades de servidores federais se reuniram em um seminário que abordou as causas e consequências do processo de desmonte do Estado impostas por uma política neoliberal sem freios. Além da reforma Administrativa que mexe com as estruturas do Estado e o pacto federativo de bem estar social, outra reforma está sendo gestada para dificultar uma reação da sociedade a todo esse cenário de desmonte: a reforma Sindical. 

Apesar de já enfrentar resistência no Congresso, o tema segue em plena articulação para encontrar brechas para sua aprovação. No setor público, onde a categoria não conta com o direito a negociação coletiva, somado a uma indisposição do governo Bolsonaro em manter um diálogo permanente com representantes do setor, o sinal de alerta está ligado e todos os esforços serão concentrados contra a reforma sindical. (Com agências).

 

 

Deixe uma resposta