Debate mostra necessidade de dobrar esforços contra reforma da Previdência

Os servidores que estiveram nesta quarta-feira (5\6) no debate “A Reforma da Previdência e o Impacto na Vida do Servidor Público Federal”, realizado pelo Sintrasef, saíram do encontro convencidos de que essas duas semanas serão cruciais para a classe trabalhadora enterrar a tentativa do governo Bolsonaro de fazer os brasileiros trabalharem mais e receberem menos, se conseguirem receber, após a aposentadoria, se conseguirem se aposentar.

Enquanto governo e parlamentares aceleram o “toma-lá, dá-cá” nos corredores do Congresso, servidores e trabalhadores de diversas categorias constroem a greve geral do dia 14, após duas demonstrações de força das ruas nos dias 15 e 30 de maio, para barrar a reforma da Previdência. A hora é de assembleias e conversas com todos para garantir a previdência pública e a seguridade social para as futuras gerações.

“Quem tinha dúvidas, não pode ter mais! É hora de ir para a rua e mostrar nossa força, mostrarmos quem faz o Brasil! Os servidores públicos não são dispensáveis como eles disseram que éramos. Olha aí a dengue para mostrar como os mata-mosquitos, por exemplo, são vitais para a sociedade!”, disse Sérgio Ronaldo, secretário-geral da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef/Fonadsef), após a palestra de Juliano Sander, economista do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

 

“Capitalização é dos males…o pior”

Juliano esmiuçou a proposta do governo em sua exposição, ilustrando os diferentes pontos com cálculos e exemplos do dia a dia que não deixam dúvidas de que o trabalhador sairá perdendo, e os banqueiros e especuladores do mercado financeiro ganhando.

Além de a proposta ser ilegal, pois fere a Constituição Federal ao pregar o fim da Seguridade Social, função básica de qualquer Estado que cobre impostos de seus cidadãos, o economista do Dieese aponta a capitalização proposta pelo ministro da Economia Paulo Guedes como “dos males…o pior”.

Juliano Sander, economista do Dieese, durante palestra organizada pelo Sintrasef (Foto: Nando Neves)

“Capitalização aprovada por lei complementar é regime próprio de Previdência, afeta todos os servidores!”, afirmou Juliano, antes de completar que os servidores já sofreram reformas, e perderam direitos. “O servidor hoje se aposenta com o quê? Com teto de Regime Geral com Funpresp, sistema híbrido. Onde está o tal privilégio? Direito à paridade e integralidade deixaram de existir. O servidor mais antigo paga contribuição previdenciária sobre a totalidade da remuneração, e não sobre o teto do Regime Geral. Os inativos e pensionistas pagam contribuição, os de Regime Geral não. Os servidores não recebem no tempo da aposentadoria valores depositados no Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). 51% dos servidores ganham menos de R$ 6.500. Só 15% dos servidores ganham mais de R$ 13 mil. Não há privilégio para o servidor”, mostrou o economista em tabelas durante a palestra.

Juliano também mostrou que em todos os países onde foi feito um sistema híbrido público e privado, a capitalização não funcionou, com o governo tendo de socorrer. “As pessoas não conseguiram se aposentar. Não alcançaram os critérios mínimos da capitalização, aí os bancos tiveram que pedir o apoio do Estado para fazer o sistema girar”, disse ele, complementando que de 1981 a 2014, dos 30 países que privatizaram seu regime de previdência, 18 voltaram atrás, reestatizando.

Não cair no erro da capitalização

Nos debates após a palestra do técnico do Dieese os servidores e diretores do Sintrasef foram unânimes ao afirmarem que o Brasil não pode se dar ao luxo de tentar um regime altamente arriscado. Para isso, é preciso a população se pronunciar agora. E dever dos sindicatos mobilizarem os trabalhadores para o “NÃO!” chegar à Brasília.

Diretor do Sintrasef e servidor da Advocacia Geral da União, Jaime Rosa considerou que após todos os exemplos, é hora de passar à ação. “É um problema de cada um de nós, de cada trabalhador do serviço público. Precisamos tomar consciência que está muito difícil vencer essa batalha, e não a venceremos só no whatsapp, nas redes sociais. É preciso sair para a rua! E a hora é agora, dia 14! Nossa prova forte que precisamos e podemos parar esse país. Devemos fazer isso com muita consciência e tranquilidade. Vamos trazer mais companheiros para a luta. Peço que cada um de nós traga pelo menos mais um para essa luta”, disse ele.

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