Com perda de 25% no poder de compra, servidores fazem nova jornada de lutas em Brasília

A subseção do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio Econômicos (Dieese) na Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef/Fenadsef) atualizou levantamento que mostra que servidores federais já perderam quase 25% do seu poder de compra em apenas três anos e meio de governo Bolsonaro. Sem qualquer reposição salarial há mais de cinco anos, a categoria sofre cada vez mais com os impactos da alta da inflação.

Após idas e vindas e depois de chegar a anunciar um percentual de 5% linear para a categoria, uma das últimas declarações do presidente é a de que, “lamentavelmente”, não seria possível nenhum reajuste para o funcionalismo esse ano.

Bolsonaro também chegou a declarar que não adiantava colocarem “a faca” em seu pescoço, fazendo alusão aos movimentos de mobilização e paralisação legítimos de servidores. A maioria reivindica 19,99% de reposição emergencial. O percentual, apresentado ainda em janeiro ao governo Bolsonaro, já está abaixo dos 26,26% de inflação acumulada pelo IPCA e 27,93 considerando o INPC.

A resposta para a incapacidade do governo Bolsonaro em manter suas próprias propostas para o funcionalismo deve vir na luta, na rua e na urna. Entre esta segunda-feira (4/7) e quinta-feira (7/7) servidores de todo o Brasil irão a Brasília para mais uma Jornada de Luta pela recomposição dos orçamentos, pela reposição salarial, pela negociação coletiva e contra as privatizações.

Nesta segunda e terça-feira, os servidores conversam com deputados e senadores nos aeroportos em Brasília e nos estados. Na terça-feira também ocorre o dia nacional de mobilização em Brasília ao lado do anexo II da câmara dos deputados.

Na quarta-feira é a vez da reunião das entidades sindicais nacionais com os parlamentares sobre os orçamentos (PLDO e PLOA), com vigília pela manhã e à tarde ao lado do anexo II da câmara e visita aos gabinetes dos parlamentares. Quinta-feira a vigília é em frente ao Ministério da Educação e Cultura (MEC).

 

Com dinheiro, sem vontade

 

As contas do governo federal mostram que há dinheiro para o reajuste do funcionalismo. Só no ano passado, a arrecadação federal cresceu 17,3%. Além disso, as contas públicas tiveram um superávit de quase R$ 65 bilhões. Em contrapartida, despesas de pessoal tiveram uma redução de cerca de R$19 bi sob o discurso de ‘contingenciamento’ pregado pelo governo. Sinônimo de desmonte.

Ao invés de negociar e promover um diálogo com a categoria, o Ministério da Economia nunca estabeleceu um canal transparente para o debate com representantes dos servidores. De declaração polêmica em declaração polêmica, o ministro Paulo Guedes vem demonstrando que a “granada no bolso do inimigo”, quando se referiu de forma polêmica a servidores públicos, tem sido adotada na prática por esse governo.

Com Bolsonaro o Estado atingiu a menor marca da história em gasto com pessoal. Guedes declarou que pretende reduzir ainda mais e se gaba de fazer uma reforma Administrativa ‘invisível’. Não por acaso, arrocho salarial, menos concursos e sucateamento do serviço público são marcas desse governo. Mas a Condsef/Fenadsef alerta: a “granada” para o servidor é o próprio governo Bolsonaro.

Para o secretário-geral da Confederação a saída para frear os ataques sucessivos ao setor público é dar uma resposta a esse governo nas urnas em outubro. A configuração do Congresso Nacional, observa Sérgio Ronaldo da Silva, é fundamental. “Precisamos garantir que mais parlamentares que defendem a visão de Estado assegurada em nossa Constituição sejam eleitos”, pontuou.

Sérgio lembra que o próprio presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, já declarou mais de uma vez que pode colocar em votação a reforma Administrativa ainda este ano. “O plano desse governo e de seus aliados é claro: acabar com os serviços públicos para que apenas poucos lucrem com o direito de milhões de brasileiros”, destacou. “Seguimos lutando para que esse futuro desastroso para a população não se concretize como quer esse governo”, reforçou. (Com agências)

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