Boca que Fala faz Carnaval com alegria e protesto contra a reforma da Previdência

Felicidade é a marca registrada do Boca que Fala (Foto: Nando Neves)

O Sintrasef caiu na folia, mas sem esquecer os obstáculos que estão por vir com o governo Bolsonaro colocando o serviço público como um dos seus principais alvos de destruição. Nesta sexta-feira (1/3), o tradicional bloco do sindicato Boca que Fala fez o grito de Carnaval no Campo do Marcelino do Cezo (Centro Esportivo da Zona Oeste), em Bangu. Diretores, funcionários e filiados do Sintrasef cantaram, sambaram e confraternizaram, com a participação especial da bateria da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel.

Em tempos sombrios para o funcionalismo público, o Carnaval do Sintrasef, que é um momento de diversão e união dos servidores, resiste à tentativa da prefeitura de silenciar a cultura popular. Apesar de desfilar há mais de 20 anos no Centro do Rio, arrastando os servidores juntamente com a população, o Boca que Fala está realizando temporariamente sua festa em Bangu.

“Perdemos o nosso espaço no Centro. Nós procuramos um lugar com condições de concentrar o Boca que Fala e nossos filiados”, explica o diretor do Sintrasef e servidor do Ministério da Saúde, Cecílio Lago. Ainda que não tenha ocorrido o tradicional concurso de sambas, ele conta que em meio à festa é possível reivindicar o fortalecimento do Estado e gritar contra reformas como a da Previdência. “Esse foi sempre um momento de protestar, mesmo sem o nosso samba de protesto”, completa.

Da mesma forma, Amaury José Ferreira, filiado ao Sintrasef e servidor do Ministério da Saúde, afirma que a realização do bloco vai além de uma oportunidade de descontração, principalmente com o governo Bolsonaro contra o funcionário público. “É um momento de encontro dos servidores para formar os novos pensamentos e rumos que iremos tomar contra essa política atual que está tentando massacrar o serviço público. Temos que continuar a luta e mostrar para o povo que a atuação do governo não é bem isso que está sendo dito na televisão e nos jornais”, diz.

Para Jorge Macedo, servidor do Ministério da Saúde e diretor do sindicato, é preciso unir o trabalhador público e o privado, uma vez que a batalha é pela garantia do direito de todos: “Esse ano é necessário entender que a luta não é para o servidor. Ela é para o trabalhador de uma forma geral. Ou é disposição para estar na rua, ou é perda de direitos, como já está acontecendo”. Macedo também faz um alerta à sociedade, aos sindicatos e aos próprios servidores que é preciso mudar a visão deturpada que se têm do funcionário público. “A primeira coisa que o servidor deve fazer é demonstrar para a população e as grandes centrais sindicais que também é trabalhador”, afirma.

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