Atuação de entidades de servidores no Congresso garante formação de frente parlamentar contra desmonte do Estado

As associações que representam os servidores públicos federais intensificaram a luta no Congresso Nacional nos últimos dias para frear a reforma administrativa e o desmonte do funcionalismo. Em meio a conversas com parlamentares, uma primeira vitória foi a instalação de uma frente parlamentar mista, com apoio de 235 deputados e senadores.

Fim da estabilidade, reformulação das carreiras, horários restritos nas repartições públicas, redução da jornada com consequente diminuição salarial. Essas são algumas das mudanças pretendidas pelo governo federal para os servidores. 

Presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público, o deputado Israel Batista (PV-DF) ressalta que a estabilidade do serviço público garante a continuidade de políticas de Estado na prestação de serviços que beneficiam o cidadão. “Se nós acabarmos com a estabilidade do servidor público, ele vai ficar vulnerável às ventanias da política, às questões político-partidárias e a perseguições”, afirmou. Batista reconhece a necessidade de uma reforma administrativa, mas entende que ela precisa estar focada no aperfeiçoamento do serviço, e não “na culpabilização do servidor”.

Social

Os servidores alertam que a decisão de uma reforma administrativa não deve levar em consideração apenas as contas públicas. “Com esse discurso de reduzir gastos, estão pensando só na questão fiscal, mas há que se trazer o social, o debate humano”, afirma o presidente do Fórum Nacional Permanente de Carreiras Típicas de Estado (Fonacate), Rudinei Marques. Ele cita números que comprovam que a retórica do governo é falha, com crescimento da população e diminuição do número de servidores. “Em 1991, eram cerca de 630 mil funcionários públicos federais ativos, contra 480 mil hoje”, afirma. Para ele, a política para o fortalecimento do país deveria ser ao contrário, com fortalecimento do Estado. “Este é o momento de fortalecer a estabilidade do serviço público sob pena de o Brasil ficar tachado de República de bananas”. (Com agências)

Deixe uma resposta