1º de Maio nas ruas marca jornada contra o fim da Aposentadoria

Assim como na Argentina, trabalhadores de diversos setores devem iniciar uma greve geral dia 15 de maio (Foto: Nando Neves)

Nesta quarta-feira (1/5), Dia Internacional dos Trabalhadores, servidores e trabalhadores de diversos setores irão para as ruas no Brasil e no mundo contra a nova onda neoliberal que corta direitos dos trabalhadores para transferir renda para o mercado financeiro. No Rio, as manifestações começarão às 9H, na Praça Mauá, com uma extensa programação por todo o dia em diferentes locais do Centro.

A principal luta em todo o Brasil será contra a proposta de reforma da Previdência do governo Bolsonaro. A troca nas regras da aposentadoria faz o trabalhador produzir e contribuir por mais anos, receber menos ao final dessa produção e ainda ficar com esse resgate financeiro incerto, já que essa poupança passará das mãos seguras do Estado para as “carteiras” de instituições privadas e suas regras de mercado que muitas vezes fazem esses bancos privados virarem pó e o dinheiro do contribuinte desaparecer.      

Além do 1º de Maio, as entidades que representam os trabalhadores também já aprovaram o Dia Nacional de Luta em 15 de maio, quando tem início a greve dos professores e das professoras. A paralisação deve ser expandida para todas as categorias trabalhistas em 14 de junho, que consta como indicativo para greve geral na agenda da CUT e que deve ser aprovado no ato de 1º de Maio em São Paulo.

É importante que todos os trabalhadores estejam mobilizados nessas datas. O momento é crítico e a mobilização deve ser multiplicada. Para a Condsef/Fenadsef é fundamental se engajar na luta para garantir os direitos não apenas de grupos específicos, mas de toda a população brasileira. A defesa de uma aposentadoria digna, por exemplo, é algo que afetará todas e todos.

Na última semana, a PEC 6, que altera o regime previdenciário brasileiro, foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Agora ela segue para análise da Comissão Especial, que foi instaurada às pressas. Prevista inicialmente para ter 26 titulares, sua composição foi aumentada para 49 nomes, o que pode favorecer sua aprovação e consequente empobrecimento dos trabalhadores para enriquecimento de bancos. A previsão é de que a Comissão Especial inicie os trabalhos em 7 de maio.

Mais motivos para lutar

Nesta segunda-feira (29/4), matéria do jornal Valor Econômico  divulgou previsão do governo de aumento de 1% nos salários dos servidores para os próximos 10 anos. Sérgio Ronaldo da Silva, secretário-geral da Condsef, avalia a possibilidade como desrespeito. Divulgada no mesmo dia, pesquisa da Fundação Getúlio Vargas observou que o Índice Geral de Preços–Mercado (IGP-M) acumulou inflação de 8,64% nos últimos 12 meses.

Neste ano, a inflação média do País já está em 4,08%, segundo o Worldwide Inflation Data. O governo divulgou recentemente que, em 2020, a expectativa dos analistas é que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial no Brasil, atinja 4% e, no ano seguinte, caia para 3,75%. Ou seja, caso haja reajuste dos salários dos servidores, esse valor será irrisório se comparado com o poder de compra.

“Se a pesquisa da FGV informa que os aluguéis aumentaram mais de 8% no último ano e se o próprio Governo projeta, em um cenário extremamente positivo, inflação que beira 4%, um ajuste de 1% é desumano, é querer precarizar os trabalhadores que protegem o Estado e observar os servidores esmorecerem na miséria”, indigna-se Sérgio Ronaldo. 

Responsabilidade de todos

Desde janeiro, as entidades representativas se desdobram para proteger os servidores das mudanças anunciadas pela nova gestão do Palácio do Planalto. Extinção de ministérios, proibição de ajustes salariais, impedimento de realização de concursos públicos e possibilidade de fim do reajuste linear garantido pela Constituição Federal exigem esforços redobrados dos sindicatos para proteger os direitos da categoria. Mas o esforço tem que ser maior, tem que ser coletivo. 

“Só preservaremos nossa categoria com ampla mobilização nas ruas e participação de todos os servidores. Nossas vidas estão em risco e o governo tem que entender a importância constitucional da nossa existência. Não há ninguém privilegiado aqui. Somos empregados do povo. O Governo não pode nos eliminar com plano que prevê miséria. É cruel e covarde”, diz Sérgio Ronaldo. (Com agências)

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